Indústria do calçado quer ser atractiva para jovens licenciados
A indústria do calçado quer tornar-se atractiva para jovens licenciados, mestres e doutores. O objectivo é mostrar que também esta pode ser uma indústria in, na qual os jovens podem seguir uma carreira profissional ambiciosa e devidamente valorizada. Este é um dos objectivos traçados ao nível da qualificação dos recursos humanos pelo Plano Estratégico da indústria do calçado para o período de 2007 a 2013. A inovação, a Internacionalização e a Cooperação e redes são os três outros eixos prioritários. "Constatamos a necessidade de reforçar a estrutura técnica da indústria, atraindo jovens designers, gestores, engenheiros e economistas para as PME. Uma forma de ter gente mais nova que alie às competências técnicas uma vivência que se coadune com a própria natureza mais internacionalizada da indústria", explicou ao DN Alberto de Castro, responsável pelo Plano Estratégico e director do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica do Porto (CEGEA). O Plano Estratégico, encomendado pela APICCAPS, a associação do sector, está já concluído e deverá ser apresentado a público ainda este mês. Desdobra-se em quatro eixos, sendo que o objectivo primordial é o do aumento da competitividade do sector e da parcela de valor retido. Ao nível dos recursos, a aposta passa, ainda, pela avaliação das competências adquiridas no exercício da profissão e pela sua credenciação. A formação, em especial na área da internacionalização, será feita aproveitando as novas tecnologias, como as plataformas de e-learning, para a compatibilizar com as dificuldades das PME em libertar trabalhadores. À APICCAPS Alberto de Castro reserva o papel de chairman na execução do plano, na esperança de que o Centro tecnológico do Calçado possa assumir o papel de CEO da nova estratégia. "Pretende-se colocar um novo desafio ao centro tecnológico, fazendo com que evolua de centro tradicional a um âmbito mais alargado, enquanto espaço de competitividade e inovação, através da cooperação com outros centros tecnológicos, com instituições de investigação e desenvolvimento e com outros sectores de afinidade imediata, como sejam os bens de equipamento e os novos materiais", explica Alberto de Castro. A cooperação é uma prioridade, não só com outros sectores da fileira da moda, com presenças conjuntas em feiras no exterior, por exemplo, mas também entre empresas do calçado. "O problema das PME não é serem pequenas, é o tentarem fazer sozinhas coisas para as quais não têm competências nem recursos", adianta este responsável. Ao nível da internacionalização, o sector pretende que sejam mantidos os apoios ao acesso a novos mercados, seja pela presença em feiras ou em missões empresariais. "Não podemos ignorar os nossos concorrentes. Se deixarmos de apoiar estas iniciativas e os outros não, continuamos a perder quota de mercado", refere Alberto de Castro. No entanto, deixa claro que os apoios à internacionalização têm de ter subjacente "um compromisso da indústria com o país e com o aumento de riqueza criada". Ou seja, os apoios não podem servir para externalização de empresas e empregos, a não ser que se garanta que o país continua a aceder a parte do valor acrescentado. "Veja-se o caso da Ecco que fechou uma grande fábrica mas instalou um centro de competências na área do design e do desenvolvimento do produto. Com menos trabalhadores pode dar um contributo mais significativo para o desenvolvimento da indústria do calçado", salienta o director do CEGEA, acrescentando ainda o exemplo da Aerosoles. "Investiu em fábricas na Índia e na Roménia mas mantém em Portugal as actividades mais exigentes e melhor remuneradas."
2007-05-06 Diário de Notícias, 10.Abr.07
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